User Tag List
+ Responder ao Tópico
Resultados 1 a 1 de 1
Tópico: O problema da água no mundo - por Alexandra Cousteau – 341 days old
-
17-06-2011, 08:55 #1Pinguim de Magalhães Serelepe
Conquistas::







Prêmios:
- Data de Ingresso
- Mar 2010
- Localização
- Itaguaí-RJ
- Posts
- 1.367
- Feedback

- Pontos
- 452
- Level
- 9
- Tempo Online
- 1 Semana 5 Dias 1 Hora 25 Minutos 48 Segundos
- Média de Tempo Online
- 54 Minutos 44 Segundos
- Blog Entries
- 2
- Mentioned
- 54 Post(s)
- Tagged
- 0 Thread(s)
O problema da água no mundo - por Alexandra Cousteau
A presidente da organização Blue Legacy fala sobre o problema da água no mundo e sua vida como neta do famoso explorador e ambientalista Jacques Cousteau.
Yoga Journal: Sendo neta de um conhecido explorador do mar, você pode dizer que a paixão pelo assunto é coisa de família?
Alexandra Cousteau: Quando meu pai, Philippe Sr., tinha quatro anos, seu pai, Jacques Cousteau, o ensinou a mergulhar. Meu avô adequou para meu pai uma estrutura pequena com uma máscara, tanque e nadadeiras, e então segurou em sua mão e o levou a um mundo virtualmente não explorado que chacoalhou sua vida. Meu pai ficou tão excitado sobre tudo o que viu abaixo da superfície calma da água – aqui está uma cardume de peixes em disparada, ali um coral colorido – que ele repetidamente tentou chamar meu avô. Ele estava feliz e alheio ao fato de que cada exclamação fazia o regulador cair de sua boca, o que meu avô habilmente substituía para evitar que o emocionado filhinho se afogasse. Quando voltaram ao barco, meu avô advertiu meu pai de seu imprudente entusiasmo dizendo, “Você deve ficar quieto embaixo d’água porque é um mundo silencioso”. A descrição de meu avô do mundo que ele tinha introduzido a meu pai depois se tornou o título de seu livro best-seller e documentário ganhador do Oscar.
Anos depois de ensinar meu pai a mergulhar, meu avô me levou em minha primeira visita embaixo da superfície do oceano na mesma área do Mediterrâneo, a costa do sul da França. Era 1983, e 25 anos tinham se passado desde o primeiro mergulho de meu pai. Nossas experiências foram parecidas em muitas maneiras. Eu estava com o peso dos equipamentos e preocupada em como eu ia respirar nesse mundo novo estranho que ia visitar. Fiz algumas tentativas de respiração, e então, rodeada por um enorme cardume de sardinhas prateadas, esqueci completamente minhas preocupações. Fiquei petrificada com o brilho e a graça desse conjunto; milhares de indivíduos movendo-se independentemente e em uníssono perfeito. O encantamento que lançaram naquele dia ainda fascina e eu amo os momentos em que posso visitar seu extraordinário e cativante universo.
YJ: Muito se fala do problema da água. Mas o que é mais preocupante – poluição nos rios ou nos mares? Qual a diferença e quais são as consequências de cada uma?
AC: Pessoalmente, o oceano sempre foi uma parte importante de minha vida. Meus pais me ensinaram a nadar quando eu tinha apenas alguns meses e parti em minha primeira expedição para a Ilha de Páscoa, Chile, alguns meses depois. Os primeiros anos de minha vida eu passei em expedições em lugares distantes, e quando criança, estava explorando alguns dos lugares mais extraordinários do planeta. Quando não estávamos em expedição, passávamos os verões no sul da França onde eu visitava o pequeno aquário no Museu de Oceanografia de Mônaco com meu avô. Lá, ele me ensinava sobre cada peixe e coral, os lugares deles no ecossistema, e nosso papel como administradores desse planeta água. Ele iniciou minha paixão pelo meio ambiente e exploração e me inspirou a sempre buscar por novas formas de explorar o mundo.
Mas quanto mais eu viajava e explorava as questões da água, mais eu percebia que todas as fontes de água estão conectadas. No verão de 2010, minha equipe de expedição e eu exploramos o famoso rio Colorado. Esse incrível sistema pluvial formou a geografia, a história e a cultura do sudoeste norte americano, fornecendo água para agricultura, indústria e municípios de sete estados dos EUA. Mas esse rio não chega mais no mar. De fato, isso não acontece há 12 anos. Como muitos outros rios pelo mundo, extração excessiva, sistemas de atribuição ultrapassados, e administração e uso ruins esgotaram seu fluxo. Hoje, uma região descrita por Aldo Leopold em 1922 como uma terra de “cem lagoas verdes” está árida. A grande rede de pântanos – que era do tamanho do estado de Rhode Island (cerca de 2.700 km²) – se foi, e um dos sistemas mais produtivos tanto para o rio quanto o mar foi quebrado. O rio Colorado é um testamento da importância de proteger a integridade de nossos sistemas hídricos. O oceano depende de nossos rios... e ambos estão cada vez mais ameaçados.
YJ: Sua organização, Blue Legacy, trabalha com a preservação das águas. Quais as ações que vocês fazem? Você acredita que a população mudará? Quais as reações a seus projetos quando os apresenta para as comunidades?
AC: Estou comprometida a ajudar as pessoas a entenderem e darem valor à sua relação diária com a água e dar força às pessoas que estão mudando nosso futuro hídrico uma comunidade por vez. Meu trabalho como produtora de vídeo e advogada visa envolver as pessoas nas conversas importantes sobre a natureza interligada dos nossos recursos hídricos.
De muitas maneiras, meu trabalho continua e desenvolve o legado de minha família como exploradores, contadores de história e defensores do meio ambiente. Meu avô Jacques Yves-Cousteau abriu os olhos do mundo para as maravilhas do oceano, enquanto o trabalho de meu pai, Philippe Costeau Sr. e minha mãe Jan nos ajudou a entender nossa relação com o mundo natural. Pela Blue Legacy, estamos inovando uma multi-plataforma de abordagem narrativa única e dedicação a campeões da comunidade que acreditamos transformar nossa relação com a água em todas as suas formas – a casa de cada um de nós, não importando a cultura ou geografia.
Blue Legacy está ajudando as pessoas a entenderem e darem valor a seu relacionemento diário com a água uma comunidade por vez. Nós temos uma abordagem simples para ajudar as pessoas a descobrir e proteger suas próprias margens.
YJ: Você está fazendo um documentário sobre a situação de questões hídricas críticas nos EUA, Canadá e México. Como está sendo? Encontrou algo muito preocupante ou algo mais positivo?
AC: A Expedição Blue Planet: North America 2010 foi uma viagem de 138 dias por 28 mil quilômetros pelos EUA, Canadá e México para explorar algumas questões hídricas críticas hoje e investigar questões hídricas mundiais “no quintal” de uma das economias líderes do mundo. Vivendo, trabalhando e explorando histórias sobre a água juntos, minha equipe e eu usamos de tudo, desde as máquinas subaquáticas inventadas por meu avô à última tecnologia de satélite e mídias sociais para trazer a emoção da aventura e as maravilhas da natureza para audiências por todo o globo. Ao longo da jornada, minha equipe e eu exploramos alguns dos maiores tesouros hídricos da região, investigamos questões de conservação da água, bem como testemunhamos histórias de pessoas de todas as esferas de vida trabalhando para resolver um dos grandes desafios de nossa geração – a crise hídrica global.
Viajando por desfiladeiros, montanhas e pradarias para chegar aos recifes de coral da Florida, registramos mais de seis ecossistemas distintos e trabalhamos em tudo desde urbano até ambientes de deserto e do oceano. Pelo caminho, artistas, músicos, escritores e celebridades se juntaram à equipe durante a expedição em 10-15 cidades para “apresentar” a consciência sobre as bacias hidrográficas e dias de ação onde cidadãos locais se juntaram a nós para trabalhar em projetos de restauração das bacias.
Enquanto encaramos desafios enormes pelo continente, a reação que as pessoas tinham pela expedição foi um entusiasmo tremendo. Fiquei super impressionada com a dedicação das pessoas em comunidades pela América do Norte para trazer de volta sua água e estou comprometida a continuar a apoiar heróis locais que estão trabalhando incansavelmente para proteger e restaurar os recursos hídricos da comunidade.
YJ: O que é necessário para parar esse processo? Quais são as responsabilidades do cidadão e do governo? O que podemos fazer? Que mudanças podemos tomar em nossas vidas para ajudar?
AC: Nossa geração no mundo desenvolvido é a primeira da humanidade a estar amplamente desconectada da natureza quando se trata de coisas que precisamos no dia a dia. Nossos avós e bisavós são as últimas pessoas em nossa linhagem a ativamente cultivar a comida e coletar sua água. Nós temos quase conexão zero entre nosso estilo de vida e os lugares que conseguimos nossa água, comida e outras mercadorias. Isso torna muito difícil convencer as pessoas a se engajar ativamente para proteger o meio ambiente porque esquecemos que dependemos diretamente de nosso ambiente para a qualidade de nossas vidas, especialmente se vivemos em cidades. Inspirar pessoas a ser parte de movimentos de conservação ambiental significa ajudar a conectar essas lacunas e reconectar as pessoas aos sistemas que fornecem a base para nosso estilo de vida.
-
Feedback
Muri Luiz gostou deste Post.
Informações de Tópico
Usuários Navegando neste Tópico
Há 1 usuários navegando neste tópico. (0 registrados e 1 visitantes)








Responder com Citação













Marcadores