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  • Mundo comemora os 100 anos da conquista do Polo Sul

    Cerimônia na Antártica lembra o feito do explorador norueguês Roald Amundsen

    O primeiro-ministro norueguês Jens Stoltenberg, acompanhado de três exploradores de seu país, segue de esqui para o marco do Polo Sul, onde participou de cerimônia para comemorar os 100 de sua conquista
    por Roald Amundsen - AP


    Sob um frio de -40 graus Celsius, aventureiros, cientistas e políticos participaram nesta quarta-feira de uma cerimônia na Antártica para lembrar os 100 anos da conquista do Polo Sul pelo explorador norueguês Roald Amundsen.

    A cerimônia também homenageou o britânico Robert Falcon Scott, que perdeu a corrida com Amudsen e chegou ao Polo Sul um mês depois do norueguês apenas para encontrar fincada no local uma bandeira da Noruega, a tenda usada pelo explorador e uma carta deixada por ele. Scott e quatro de seus homens acabaram mortos na tentativa de deixar o Polo Sul e voltar para casa.

    - Estamos aqui para celebrar um dos maiores feitos da História da Humanidade – disse Jens Stoltenberg, primeiro-ministro da Noruega, que inaugurou uma escultura de gelo com o busto de Amundsen. - E Scott e seus homens também serão para sempre lembrados pela sua coragem e determinação de alcançar um dos locais mais inóspitos da Terra.



    Veja galeria da celebração em fotos dos 100 anos da conquista do Pólo do Sul



    Diversas expedições atravessaram a Antártica nos últimos meses para lembrar o feito de Amundsen e participar da cerimônia. Muitos, no entanto, acabaram se atrasando e tiveram que recorrer a aviões para percorrer os últimos trechos da viagem.

    - Nosso respeito pelo feito de Amundsen há 100 anos cresceu a medida que seguimos sua trilha de esqui e sentimos os desafios físicos que ele experimentou – contou Jan-Gunnar Winther, diretor do Instituto Polar da Noruega, que abandonou uma expedição que seguia a rota original de Amundsen.

    Em 1911, o explorador norueguês e sua equipe percorreram 1,3 mil quilômetros de esqui, atravessando o congelado Mar de Ross, escalando as montanhas do planalto Antártico a uma altitude de 3 mil metros e cruzando vastos campos de gelo até chegar ao Polo Sul. Na preparação para a conquista, eles deixaram diversos depósitos de comida e suprimentos no caminho antes do assalto final ao Polo Sul. Lá, eles passaram três dias fazendo experiências científicas antes de começarem a viagem de volta.

    Segundo os especialistas, Amundsen foi bem-sucedido por estar melhor preparado que Scott. Enquanto o norueguês usou esquis e trenós puxados por cachorros, o britânico levou trenós motorizados que acabaram quebrando e pôneis que não resistiram ao frio. Os depósitos bem sinalizados de Amundsen guardavam mais de três toneladas de suprimentos, enquanto Scott tinha menos e menores depósitos que a expedição muitas vezes não conseguiu localizar devido às nevascas.

    Contrastando com a dura, e por vezes amarga, disputa entre Amundsen e Scott, a exploração do Polo Sul hoje é marcada pela cooperação internacional regulada pelo Tratado da Antártica, com foco na paz, estabilidade, preservação do meio ambiente e pesquisa científica. Entre os mais importantes campos de estudo está o aquecimento global e seus efeitos na região.

    - A perda de gelo na Antártica pode ter graves consequências globais – lembrou Stoltenberg. - Roald Amundsen, Robert Scott e seus homens enfrentaram muitas dificuldades para alcançar seus objetivos e devemos estar preparados para fazer o mesmo – acrescentou, numa referência à luta contra as mudanças climáticas.


    Fonte: [ O Globo ]


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