Essas duas imagens são de pinguins-de-magalhães que interagiram com a pesca com espinhel, resgatados no Espírito Santo (ES), Brasil. A primeira imagem é de um pinguim com anzol alojado no esôfago, e a segunda imagem mostra um grande anzol no conteúdo estomacal de outro pinguim. As linhas de nylon e os anzóis são grandes (compatíveis com os pescados desejados), de forma que causam lesões devastadoras nos pequenos pinguins. Além disso, aves marinhas voadoras, tartarugas, mamíferos marinhos e outras espécies acabam sendo pescadas acidentalmente. No Brasil, destacam-se os esforços do Projeto Albatroz, que há duas décadas vem lutando para implantar medidas de mitigação na pesca com espinhel, cada vez com mais sucesso.

Pinguins contaminados por óleo são uma ocorrência trágica, em que mesmo após a descontaminação, a imunossupressão decorrente do estresse leva muitos exemplares a desenvolverem doenças secundárias. Além de intoxicar o trato digestório e causar danos diretos ao sistema respiratório, o óleo tira a impermeabilização das penas, prejudicando a natação e a termorregulação dos pinguins, o que faz com que encalhem.

Durante monitoramento da temporada reprodutiva da tartaruga verde na Ilha da Trindade, ES, Brasil, também pude testemunhar tartarugas adultas prejudicadas pela ação humana. A primeira imagem mostra uma carapaça com lesões causadas por hélice de embarcação. A segunda imagem mostra um emaranhado de linhas de nylon que foi removido do pescoço de outra tartaruga.

Em exames necroscópicos realizados em pinguins-de-magalhães, tenho registrado lixo plástico entre o conteúdo alimentar destas aves, um achado cada vez mais comum. Em geral os pinguins encalhados estão extremamente magros, fracos e desnutridos. A presença de lixo plástico no aparelho gastrointestinal pode indicar que os pinguins estão desesperados e pouco seletivos, uma vez que também são encontradas espécies incomuns aos hábitos alimentares deles.
Cetáceos também são vulneráveis ao lixo, principalmente a fragmentos plásticos e artefatos de pesca. Deixo como exemplo um golfinho-de-dentes-rugosos caquético que encalhou e veio a óbito em 2009. Durante a necropsia, descobriu-se fragmentos de plástico em esôfago e estômago, que o impediam de se alimentar normalmente (clique aqui para ler). Uma matéria reproduzida pelo Instituto EcoFaxina também apresenta imagens de outros cetáceos interagindo com lixo plástico.
O estudo dos animais marinhos nos traz muitas informações importantes sobre a saúde ambiental dos oceanos.
Nós, como mergulhadores, devemos representar e promover ações em prol da biodiversidade, perante a sociedade. Além de mergulhadores, somos biólogos, comerciantes, industriais, ativistas, técnicos, políticos, e principalmente, educadores ambientais. Peço às pessoas que quiserem compartilhar imagens de animais afetados pela atividade humana (pesca, exploração de recursos naturais, lixo) que enviem suas fotografias para luisfelipe@ipram-es.org.br, que eu as publicarei com os devidos créditos em outra matéria neste portal.



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